23 de jun de 2012

Os mistérios de Botucatu

O ufólogo e pesquisador Paulo Aníbal realizou uma expedição a Botucatu, em São Paulo, conhecida pela formação rochosa chamada de Três Pedras, e pela possível relação com a presença de sumérios no passado longínquo de nosso país.

A palavra botucatu vem do tupi-guarani (ybytu-katu) e significa “bons ares”, provavelmente devido à boa corrente de ar vinda da cuesta de Botucatu, que, na realidade, é uma elevação acentuada. Dali têm-se paisagens maravilhosas, entre elas o conjunto rochoso conhecido como Três Pedras. Muitos citam fatos inusitados e misteriosos sobre a região, de manifestações de OVNIs a inúmeras lendas, como a do culto negro da serpente.

Um dos maiores divulgadores das histórias misteriosas de Botucatu foi um historiador e conhecedor da língua suméria, Frei Fidélis da Mota (Frei Fidelis Maria di Primiero, nascido em Trento, Itália, e também conhecido como Frei Fidelis Mott), sacerdote capuchinho que, em 1952, se transferiu para Botucatu. Ele realizou muitos estudos na região, abordando os chamados “cultos negros” da antiga Suméria, a lenda de Sumé e o caminho do Peabiru.

Para Fidélis, a palavra Botucatu tinha outro significado; em sumério, se dividia como bot uk at u, querendo dizer “templo da serpente no meio das pedras”, ou “fortaleza da serpente no meio das pedras”, e seriam exatamente as Três Pedras.

Segundo os geólogos, a maior parte dos terrenos da região de Botucatu se formou durante a Era Mesozóica (150-200 milhões de anos), e faz parte dos enormes planaltos sedimentares do sul do país, localizando-se na região de contato da Depressão Periférica com a elevação (cuesta) para o Planalto Ocidental Paulista. Essa cuesta é uma escarpa com mais de 500 quilômetros de extensão, e seus pontos mais altos chegam a 900 metros, formados por basaltos (rochas originadas do derrame de lavas vulcânicas) e por arenito avermelhado (rocha sedimentar), constituído a partir de dunas fósseis e grãos de areia compactados. Portanto, no passado remoto, já foi um imenso deserto de dunas.



Nesse local encontramos as Três Pedras, com uma extensão de mais de 600 metros, verdadeiros testemunhos geológicos das transformações no imenso deserto que existia na região da atual cuesta.

A primeira pedra tem cerca de 40 metros de altura e, por sua base, é possível passar por uma picada e investigar um possível indício relacionado ao Peabiru. Em seguida, chega-se à Pedra do meio, com seus 200 metros de comprimento e cerca de 50 metros de altura. Escalando essa pedra, é possível perceber interessantes pistas em seu paredão. Ao lado, encontra-se a Terceira Pedra, a menor delas, com 80 metros de extensão e cerca de 30 metros de altura.

A Pedra do Meio está relacionada a inúmeros relatos de avistamentos de OVNIs, principalmente à noite, quando estranhas formações luminosas já foram observadas pelos moradores locais; algumas testemunhas disseram que viram "bolas" de luz dançando no céu, chamando-as de "mãe de ouro" ou "bezerro de ouro", e interpretando-as como coisas ruins ou ligadas ao diabo. Também existem relatos da formação de grandes fachos de luz que cortavam o céu, a partir dessas rochas, durante vários minutos; e também relatos de sons semelhantes ao de um jato percorrendo o céu, seguido por uma "explosão".

Relatos do surgimento repentino de flashes de luz durante a noite também são comuns, assim como também já foram relatadas duas estranhas formações circulares no pasto.

No ano 2000, numa das reuniões mensais do grupo de pesquisas ufológicas Geoni, um jovem relatou que ficou sentado por várias horas no topo da Pedra do Meio, em cima de um tipo de marca estranha. Infelizmente, três meses depois ele ficou sabendo que desenvolvera câncer no testículo. Teria sido radiação?

Ao pesquisar a Pedra do Meio foi utilizada uma bússola de precisão e, em alguns pontos, a agulha da bússola se desviava repentinamente na direção dessa pedra, evidenciando algum tipo de anomalia ou alteração magnética; mas a causa dessa alteração não pode ser determinada com exatidão. Numa região ao longo do paredão foram percebidas interessantes e estranhas marcas sinuosas, mas também não foi possível definir se teriam sido feitas por alguém ou se eram naturais.



Nas proximidades existe uma gruta de arenito com alguns detalhes que lembram inscrições, mas que precisam ser mais bem estudadas. No final da gruta, existe uma abertura pela qual só é possível passar se arrastando no chão.

Em outra região próxima às Três Pedras, atravessando uma mata relativamente densa dentro de uma propriedade privada, chega-se à outra caverna que, no passado, chegou a servir de morada para índios e que tem inúmeras "inscrições estranhas" nas paredes. Suspeita-se que Frei Fidélis tenha estudado essas inscrições. É muito prematuro afirmar qualquer coisa sobre a origem de tais inscrições, e menos ainda afirmar que tem origem suméria, sem que seja feito um estudo arqueológico aprofundado. No interior da caverna, foi utilizada uma bússola sem que se tenha detectado qualquer alteração.

Em seus estudos sobre as Três Pedras, Frei Fidélis deu-lhes o nome sumério de Ex tu, ou "o templo negro fálico", que, supostamente, seria a sede do culto negro liderado por Xumé. Este foi considerado um sacerdote sumério, e o local seria o ponto de reunião dos "cantores negros", adoradores de Satã, ou sa an (grande serpente). Assim, de certa forma, o local seria a morada da serpente.

Fidélis dizia que as redondezas de Botucatu eram dedicadas ao culto negro, de modo que os nomes utilizados na região remetem ao idioma sumério. O nome da cidade de Bofete viria de Bofe te, ou "região dos cantores negros"; Avaré, de Av a ré, ou "templo de todos os cantores"; Itu, de I tu, "filhos do templo"; Anhembi, de An hem by, "templo dedicado à serpente"; Tietê, de Ti e te, "rio que corre para o templo"; e Sorocaba, Sor ok ab a, "cantores da serpente destruíram o templo".

Isso dá uma idéia da riqueza de histórias em torno das Três Pedras, que, na verdade, fazem parte de uma formação ainda maior, o Gigante Deitado. As Três Pedras formam os pés do "gigante", que pode ser observado por quem passa pela rodovia Marechal Rondon em direção a Bofete. Nessa rodovia, também foram relatadas muitas aparições de luzes, na direção das Três Pedras.

Diz-se ainda que um tesouro dos jesuítas, do século 18, foi enterrado na região por ocasião da perseguição do Marquês de Pombal. Fala-se que eles abriram uma vala enorme para jogar o ouro em barras e, para garantir o sigilo sobre o local exato, mataram os escravos, enterrando-os junto com o ouro.



Peabiru é uma estrada lendária que corta a América do Sul. Também é conhecido como Peabiyu, e os jesuítas chamavam-no de Caminho de São Tomé. Em tupi-guarani, pe significa "caminho", e abiru, "gramado amassado"; ou seja, "caminho batido".

O Peabiru é citado pela primeira vez no livro História da Conquista do Paraguai, Rio Prata e Tucumán, escrito por Pedro Lozano, padre jesuíta nascido em 1697. Outras referências surgem em obras como a Revista Comentário (número 49, 1971), do historiador Hernani Donato, e o livro Peabiru – Os Incas no Brasil (1999), de Luis Galdino.

De forma resumida, diz-se que o caminho possuía cerca de 1,3 metro de largura, sendo o ponto de partida a região de São Vicente, em São Paulo; na realidade, a estrada já vinha beirando o litoral desde Porto dos Patos, em Santa Catarina, e Cananéia, em São Paulo.

Os índios afirmam que o caminho foi construído por Pay Sumé, mas os jesuítas atribuíam o feito ao apóstolo São Tomé. Para alguns pesquisadores, Peabiru foi a "porta de entrada" para a colonização portuguesa em direção ao interior do Estado de São Paulo, até que sua utilização foi proibida em 1533 por Tomé de Souza, inclusive com pena de morte aos infratores. Essa medida só teria sido tomada para evitar o fácil acesso às colônias castelhanas, pois causava grande prejuízo à alfândega portuguesa devido ao contrabando. Para se ter idéia de como era fácil o trânsito por esse caminho, o gado que foi introduzido na região de Cananéia em 1502, já estava presente na corte dos incas, no Peru, em 1513.

Só em 1603 o caminho voltou a ser utilizado pelos índios guaranis, mas qual seria o traçado dessa estrada pelo interior de São Paulo? Provavelmente, seguia ao longo do vale do rio Tietê até à região de Itu e Sorocaba, e seguia em direção sul, dividindo-se em duas ramificações: uma para o sul, passando por Araçoiaba, Itapetininga, Itapeva e Estado do Paraná, onde existem registros arqueológicos encontrados pelo professor Igor Chmys, da Universidade Federal do Paraná; outra ramificação sairia de Sorocaba, passando por Bofete e pela Serra de Botucatu, seguindo a cuesta e o rio Paranapanema, indo até o Paraguai e, supostamente, até o Peru.

Como curiosidade, próximo a Sorocaba, encontram-se estranhas formações rochosas com o perfil de um rosto humano, bem definido, e pode-se especular se teria algo a ver com o Peabiru.

Nas proximidades das Três Pedras, existem algumas picadas que ainda não foram totalmente exploradas, e podem ter a ver com o Caminho de Peabiru. O que se sabe é que a região, além de ter sido um deserto num passado remoto, esconde muitos mistérios, transformados em lendas muito antes do Brasil ser uma colônia portuguesa. A exploração nessa região está apenas começando.

Paulo Aníbal G. Mesquita

Para Saber Mais:

Peabiru – Os Incas no Brasil

Luis Galdino

Ed. Estrada Real

www.editoraestradareal.com.br

pesquisa: http://www.revistasextosentido.net/news/os-misterios-de-botucatu/ - 20/06/2011

RUA DO COMÉRCIO CENTRAL

RUA DO COMÉRCIO CENTRAL

Vista parcial da Cidade

Vista parcial da Cidade

Largo da Catedral

Largo da Catedral

Consulado de Portugal

Consulado de Portugal

Praça Emílio Peduti

Praça Emílio Peduti

Igreja de Rubião Jr.

Igreja de Rubião Jr.

Nascente do Rio Pardo

Nascente do Rio Pardo

Rio Alambari

Rio Alambari

Rio Bonito (Tietê)

Rio Bonito (Tietê)

Ruinas da Igreja ao pé da Cuesta

Ruinas da Igreja ao pé da Cuesta

Subida da Cuesta (rodovia Mal. Rondon)

Subida da Cuesta (rodovia Mal. Rondon)