28 de jan. de 2010

Hidrografia

HIDROGRAFIA

o Estado de São Paulo está dividido em três grandes bacias hidrográficas, bem delimitadas geograficamente: Bacia do Rio Paraná, Bacia Costeira do Sudeste e Bacia Costeira do Leste. En¬tretanto, pata um melhor gerenciamento, outra divisão foi adotada (ver p. 31), impulsionada pelo acirramento dos interesses, muitas vezes conflitantes, sobre o direito de uso, e pelo agravamento dos impactos ambientais sobre a água. O Estado de São Paulo, juntamente com os municípios e representantes da sociedade civil, criou o Conselho de Recursos Hídricos - CRH, com a finalidade de garantir: o uso racional da água (urbano, industrial e agrícola), a maior participação da socie¬dade nas decisões sobre os recursos hídricos, a prioridade da utilização da água pelas popula¬ções (água potável), bem como a otimização de obras e custos em prol da sociedade.

Para isso, houve a necessidade de subdividir as grandes bacias hidrográficas a fim de melhorar as tomadas de decisões regionais a respeito dos recursos hídricos. Essa compartimentação recebeu o nome de Unidades Hidrográficas de Gerenciamento dos Recur¬sos Hídricos - UGRHI, que são 22 no Estado de São Paulo.
O município de Botucatu está inserido em três UGRHls:

UGRHI-05 Piracicaba/Jundiaí/Gapivara: localizada no extremo norte do município, junto à Represa Barra Bonita.

UGRHI-l0 Tietê/Sorocaba: abrange praticamente metade do município (porção norte), entre a Represa Barra Bonita (Rio Tietê) e a Cuesta Basáltica (Serra Geral).

UGRHI-17 Médio Paranapanema: corresponde à Bacia Hidrográfica do Rio Pardo, que envolve toda a porção sul do município.
O município de Botucatu é drenado por duas bacias hidrográficas: do Rio Pardo, ao sul, e do Rio Tietê, ao norte. É importante lembrar que a foz do Rio Piracicaba, um dos principais afluentes do Rio Tietê, encontra-se também no município de Botucatu, ambos "mergulhados" (alagados e escondidos) na Represa Barra Bonita.

O RIO TIETÊ

O Rio Tietê, que banha as partes norte e oeste do município de Botucatu, é o mais importante curso d'água do Estado de São Paulo. Ele atravessa todo o território paulista, percorrendo-o de leste a oeste em uma das regiões mais ricas do hemisfério Sul. Sua nascente localiza-se na Serra do Mar, no município de Salesópolis, a 840 metros de altitude e a 22 quilômetros do Oceano Atlântico, e sua foz encontra-se no Rio Paraná, junto ao município de Itapura, na divisa com o Mato Grosso do Sul.

Seu comprimento total é de 1.100 quilômetros e o grande desnível de seu curso foi aproveitado para a construção de várias barragens, destinadas à produção de energia elétri¬ca que abastece grande parte do Estado de São Paulo. Mais recentemente, com a constru¬ção de várias eclusas, a vocação para navegação vem sendo resgatada, culminando na implantação da Hidrovia Tietê-Paraná.

Esse rio foi fundamental para a formação do território brasileiro, conforme cita o histo¬riador Oscar D'Ambrosio: "Com grande importância histórica como via de penetração do po¬voamento foi, durante muito tempo, a única estrada para o interior do Brasil, servindo de caminho para os bandeirantes, que o percorriam em busca de ouro, índios e novas terras".

Percorrem o município de Botucatu, em direção ao Rio Tietê (Represa Barra Bonita), ( seguintes cursos d'água: rios Lavapés, Capivara, Araquá, Alambari e inúmeros ribeirões córregos que compõem a imensa Bacia Hidrográfica do Rio Tietê.

RIOS, RIBEIRÕES E CÓRREGOS

São denominações dadas aos cursos d'água superficiais que serpenteiam o relevo à procura do melhor caminho, movidos pela força da gravidade do sentido da nascente (altitude elevada) para a foz (altitude mais baixa em relação à da nascente).
A classificação de um curso d'água obedece a uma hierarquia, dependendo do seu volume de água e, muitas vezes, do seu comprimento em relação a outro adjacente na mesma bacia hidrográfica.
O rio é sempre o corpo d'água principal, por ser mais expressivo em tama¬nho e volume, e tem como afluentes os ribeirões e córregos ou outros rios meno¬res que o principal. Por sua vez, os ribeirões têm como afluentes os córregos ou outro ribeirão menos expressivo que o primeiro. Os córregos têm como afluentes outros córregos menores. Salvo os erros de classificação, um rio nunca deságua em um ribeirão ou em um córrego, e um ribeirão jamais terá sua desembocadura em um córrego. O ribeirão pode ser chamado de riachão ou riacho grande, enquanto o córrego é comumente denominado de riacho.
Seguindo uma hierarquia, os corpos d'água menores (afluentes e subafluentes) desembocam em um corpo d'água mais expressivo.

A Serra de Botucatu faz parte de um sistema montanhoso deno¬minado Serra Geral, que separa as águas pluviais e fluviais que vão para o interior de duas importantes bacias hidrográficas do Estado de São Paulo. Na direção norte, a Ba¬cia Hidrográfica do Rio Tietê; ao sul, a Bacia Hidrográfica do Rio Pardo.

O RIO LAVAPÉS

o Rio Lavapés possui sua nascente ao sul da mancha urbana de Botucatu (ci corre em direção ao norte do município, atravessando a referida área urbana (local rm samente povoado), até "mergulhar" na encosta da Serra de Botucatu percorrendo suav após esta passagem, a planície aluvial do Rio Tietê até desaguar na Represa Barra B(
O Rio Lavapés ou Ribeirão Lavapés tem importância histórica devido a sua ui como referência geográfica para o povoamento de Botucatu. Nota-se que a cidade às margens deste curso d'água. Em pouco tempo tornou-se um dos eixos de urbaniz cidade.
Talvez o trecho mais bonito do Rio Lavapés seja quando ele se precipita ao" íngreme encosta da Serra de Botucatu em meio à mata galeria*. Ao longo de milh anos este rio vem entalhando no relevo de cuesta uma garganta (perceés), tal comi rios do município.
Quanto às questões ambientais, o Rio Lavapés merece atenção por dois motiv • O despejo de esgoto sanitário inviabiliza o uso da água no seu percurso e (para agravar a eutrofização* na Represa Barra Bonita;
• O uso de agrotóxicos nos canaviais pode contaminar este rio, agravando ainda os problemas ligados à qualidade da água e à manutenção da vida aquática

O RIO PARDO

A Bacia Hidrográfica do Rio Pardo ocupa uma área de aproximadamente 721 qullômetn quadrados. O Rio Pardo é um dos principais afluentes do Rio Paranapanema, com uma exter são total de cerca de 240 quilômetros de sua nascente, no município de Pardinho, até sua fo no Rio Paranapanema, município de Salto Grande, na divisa com o Estado do Paraná. Nes~ caminho, perfaz um curso de aproximadamente 40 quilômetros no município de Botucatu.

Da nascente à foz o Rio Pardo tem um desnível de aproximadamente 625 metros - SL nascente encontra-se a 1.003 metros de altitude; a desembocadura a 377 metros.

Corta o município de leste a oeste e compõe toda a bacia hidrográfica da porção sul ( município, fazendo a divisa natural entre Botucatu e os municípios de Avaré e Itatinga.

Suas cachoeiras são pontos turísticos muito procurados no município. A principal dei, é o Véu de Noiva. Além do turismo, o Rio Pardo tem grande importância na geração de ene gia elétrica e no abastecimento de água potável para a cidade de Botucatu.

Sem dúvida, Botucatu recebeu uma dádiva da natureza, pois é cercado por dois recu sos hídricos de grande importância para o Estado de São Paulo. Contudo, sua responsabilidac ambiental aumenta, uma vez que poucos municípios paulistas possuem esta condição ge( gráfica e tal oportunidade de aproveitamento hídrico.


O AQUÍFERO GUARANI

A região de Botucatu, devido às suas características geológicas, é reconhecida como importante área de recarga do lençol freático*. Tanto é verdade que nos últimos anos vem crescendo o estudo sobre o Aquífero Guarani (questão em que o município de Botucatu tem grande relevância), um reservatório de água subterrâneo que garantirá a água de qualidade às futuras gerações.

O Aquífero Guarani é o maior manancial* de. água doce subterrânea do mundo, localizado sob os territórios do Brasil, Paraguai e Uruguai. Calcula-se que o volume de água existente nesse imenso lençol freático abasteceria atualmente o dobro da população brasileira.

Cerca de dois terços da área total do aquífero encontram-se sob solo brasileiro, abrangendo os Estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O nome dado ao aquífero homenageia o povo indígena da região. Antes, no Brasil, ele era chamado de Aquífero Botucatu. Esse reservatório gigante de água subterrânea (reserva permanente de cerca de 45 quilômetros cúbicos de água, com uma profundidade entre 800 e 1.500 metros) é protegido por uma manta de rocha vulcânica (basalto ígneo) e por sucessivas camadas superiores de sedimentos que filtram as águas pluviais e fluviais que escoam por esses solos por efeito da gravidacle.

Esta rocha formada por derrames de basalto ígneo, ocorridos nos períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo (entre 200 e 132 milhões de anos, apro¬ximadamente), protege o aquífero da área mais superficial e porosa do solo, evitando a evapo¬ração e evapotranspiração da água nele contida.

O terreno botucatuense foi depositado em sucessivas camadas de arenito (rocha sedi¬mentar) intercaladas com derrames vulcânicos de basalto (rocha magmática). Nos locais onde a erosão expõe essas camadas (frontda cuesta), a infiltração de água pluvial e fluvial é facilitada pelas fissuras encontradas entre as camadas e pela boa permeabilidade do arenito. Desta for¬ma, o município de Botucatu, local de recarga natural de água devido ao afloramento dessas rochas intercaladas na superfície (borda da for¬mação basáltica-arenítica - front da cuesta) permite a infiltração da água das chuvas e das águas superficiais, abastecendo, assim, esse imenso reservatório subterrâneo de água, o Aquífero Guarani.

Percebe-se, desta forma, a importância (los municípios que se encontram em área de recarga do Aquífero Guarani. Porém, também é nesses locais (áreas 110 reposição e captação de água) que pode ocorrer a contaminação do Aquífero Guarani pela ação dos agrotóxicos (l, certamente, no futuro, esses locais deverão ser muito mais restritivos a culturas agrícolas que os utilizam.
É considerado um recurso natural importante, pois suas águas são de boa qualidade para o consumo humano 11 podem suprir o crescimento populacional em franco andamento sobre o aquífero. No entanto, esse crescimento demográfico promove riscos relacionados ao consumo e à poluição gerada pela própria população e por suas atividades econômicas.

Fonte: ATLAS ESCOLAR HISTÓRICO E GEOGRÁFICO - Ferreira-Cesar Cunha (ed. 2009)

9 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Olá
    Prof. Miguel
    Parabéns pelo seu blog, este blog valoriza as cidades citadas e também o Brasil, eu preciso do conteúdo do seu blog da parte que fala do rio pardo, para que eu possa fazer uma divulgação da venda do meu sitio ai em Botucatu, caso seja possível colocarei o link do seu blog no final do conteúdo.
    Obrigado

    Atenciosamente,

    Jorge
    bijegajp@gmail.com

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  3. gostei de ver seu documentário sobre a Hidrografia de Botucatu,ela é realmente muito rica em nascentes.o Histórico então nem se fala,fiquei sabendo muito sobre nossa região.o
    que tenho observado é que não dão atenção especial a essa riqueza natural.Os mananciais deveriam ser melhor protegido .

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  4. gostei de ver seu documentário sobre a Hidrografia de Botucatu,ela é realmente muito rica em nascentes.o Histórico então nem se fala,fiquei sabendo muito sobre nossa região.o
    que tenho observado é que não dão atenção especial a essa riqueza natural.Os mananciais deveriam ser melhor protegido .

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  5. Gostei das fotos da cidade,estão no tamanho ideal.O Consulado Português e a igreja de Rubião Junior estão com pinturas recentes muito bonitos Só não gostei de ver que a nascente do rio Pardo está desprotegida e sem sinalização e nos trechos que vi não há vegetação nativa .Fico muito triste ao ver esse relaxo da população e das autoridades locais que não cuidam dos mananciais.

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  6. Olá Prof. Miguel. Arrasou. Parabéns.
    Moressi.

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  7. Sua exposição é muito didática e deve ser compartilhada em todos os segmentos da população para juntos compormos a força tarefa ,que deve fazer a diferença para um futuro eminente de escapes de água potável.

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  8. Bom saber que estamos em cima de uma riqueza hidrográfica. Precisamos de políticas voltadas a proteção dessas reservas. Basta ver o que acontece aqui perto em Bauru, meu Deus... Por lá, falta água todos os dias.

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RUA DO COMÉRCIO CENTRAL

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Vista parcial da Cidade

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Largo da Catedral

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Consulado de Portugal

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Praça Emílio Peduti

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Igreja de Rubião Jr.

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Nascente do Rio Pardo

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Rio Alambari

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Rio Bonito (Tietê)

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Ruinas da Igreja ao pé da Cuesta

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Subida da Cuesta (rodovia Mal. Rondon)

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