28/01/2010

Geologia e Relevo

GEOLOGIA

Geologia é a ciência que estuda a formação da Terra, a estrutura da crosta terrestre (litosfera), a sedimentação de terrenos, o formato externo (relevo) e as diferentes fases da história física da Terra.
A estrutura geológica do Estado de São Paulo apresenta uma nítida divisão geral entre as rochas cristalinas* do embasamento Pré-Cambriano do Escudo Brasileiro e as rochas sedimentares e vulcânicas de diferentes idades que compõem a Bacia Sedimentar do Paraná.
Detalhando essa divisão em compartimentos geológicos (quando são relacionadas as características das rochas agrupadas em intervalos determinados do tempo geológico com a caracterização do relevo), tem-se a seguinte apresentação:
•no Planalto Atlântico, rochas cristalinas do Arqueozoico-Proterozoico;
•na Depressão Periférica, rochas sedimentares do Paleozoico (Carbonífero e Permiano)
•na Cuesta Basáltica, rochas sedimentares e vulcânicas, do Triássico
• no Planalto da Bacia do Paraná, sedimentos do Cretáceo Superior e do Ce intercalados por rochas efusivas* (extrusivas) basálticas;
• na Província Costeira, terreno sedimentar de origem marinha do período Quaternário

GEOLOGIA EM BOTUCATU

O estudo geológico das camadas rochosas é chamado de estratigrafia. Em Botucatu, a estratigrafia mostra que a maior parte do município está localizada sobre rochas associadas aos arenitos das formações Botucatu e Piramboia, em sobreposição às rochas ígneas efusivas basálticas (com diversos pontos de afloramentos*) da Formação Serra Geral, além de sedimentos recentes relacionados à atual rede de drenagem.
A Formação Botucatu é constituída por arenitos de granulação fina a média, de coloração vermelha, rósea ou amarelo-clara. Na época da deposição desses arenitos - o período Jurássico - o ambiente era desértico (material depositado por ação eólica*).
A Formação Piramboia é constituída de arenitos de aspecto branco-alaranjado e avermelhados, de granulação fina a média. Tais arenitos são originados de ambiente flúvio-Iacustre*, com discreta influência eólica, e ocorreram do Triássico superior ao Jurássico inferior.
A Formação Serra Geral tem idade de 110 a 160 milhões de anos, indicando que ocorreu durante o Cretáceo e o Jurássico. Essa formação compreende um conjunto de rochas basálticas originárias de derrames vulcânicos, de coloração cinza a negra, que se encontram intercalados por depósitos areníticos de granulação fina de origem eólica (com caracterís ticas da Formação Botucatu).
Os derrames vulcânicos basálticos (rochas efusivas) afloram principalmente na superior das escarpas das Cuestas Basálticas e em morros-testemunho isolados pela ero¬são diferencial (erosão promovida preferencialmente em rochas menos resistentes; as mais resistentes não sucumbem ao trabalho de desgaste natural, prevalecendo ainda hoje na paisagem).
Essas três formações - Piramboia, Botucatu e Serra Geral - constituem o Grupo São Bento, termo usado para indicar rochas de origem vulcânica e eólica, em camadas sobrepostas (derrame basáltico e arenito). O Grupo São Bento tem grande importância na garantia do abastecimento de água, pois na Formação Botucatu existe um grande aquífero, de excelente potencial de explotação*.
Os sedimentos aluviais são constituídos por areia fina argilosa, argila orgânica, argila siltosa e cascalhos, que formam os depósitos que dão origem às planícies fluviais. São sedi¬mentos mais recentes (do Cenozoico/Terciário) e encontrados nas partes sul e sudoeste do município.


GEOMORFOLOGIA

É uma ciência que estuda e se preocupa em explicar a origem dos tipos de relevo, bem como a estrutura e a natureza dos terrenos rochosos e sedimentares de um dado local. Na geomorfologia, o clima da região e os diversos agentes destrutivos e construtivos do relevo também são levados em consideração para entender a modelagem do relevo. Sendo assim, para melhor entendermos o relevo onde o município de Botucatu está inserido, vamos conhecer a geomorfologia do Estado paulista.
O Estado de São Paulo repousa sobre cinco formas de relevo: Província Costeira ou Planí¬cies Litorâneas, Planalto Atlântico, Cuesta Basáltica, Planalto da Bacia do Paraná (Planalto Ocidental) e Depressão Periférica, sendo que os dois últimos por muito tempo foram chamados de Planalto Meridional.
1. Província Costeira: basicamente, está dividida em duas regiões - a Baixada Santista e o Vale do Ribeira do Iguape. Esta forma de relevo é formada predominantemente por terre¬no sedimentar de origem marinha e sedimentos oriundos dos processos erosivos que des¬gastam a escarpa* (no caso, a Serra do Mar) do Planalto Atlântico.
2. Planalto Atlântico: limitado ao sul e ao sudeste pela Serra do Mar, região monta¬nhosa também conhecida por Cordilheira Atlântica, sua formação tectônica é recente, porém a formação litológica (rochas) é muito antiga (do Pré-Cambriano: pouco mais de 2 bilhões de anos atrás). Este planalto é formado basicamente por rochas primitivas, também conhecidas na geologia como embasamento cristalino.
3. Planalto da Bacia do Paraná ou Planalto Ocidental: formado por terrenos sedimentares originados a partir do intenso desgaste do Planalto Atlântico e principalmente das rochas basálticas, através de processos erosivos duradouros (milhões de anos). Revela terreno suavemente ondulado, com colinas e grandes porções aplainadas. Também é conhecido como Planalto Ocidental.
4. Depressão Periférica: formada por terreno composto de rochas sedimentares anti¬gas. Sua geomorfologia apresenta características peculiares, pois se trata de uma região deprimida, estreita e alongada, encaixada entre o Planalto Atlântico e a Cuesta Basáltica.
5. Cuesta Basáltica: é um declive íngreme na borda sudeste da Planalto da Bacia do Paraná. Este relevo, sobre o qual está localizado o município de Botucatu, apresenta-se bem desgastado pelos processos erosivos, revelando a alternância de camadas rochosas que formam o terreno acidentado da Cu esta Basáltica, proporcionada por derrames basálticos (de origem vulcânica) ocorridos neste planalto milhões de anos atrás.
O município de Botucatu localiza-se na província geomorfológica* conhecida como Cuesta Basáltica. Trata-se de uma área de transição e desnivelamento abrupto e acidentado entre o Planalto da Bacia do Paraná e a Depressão Periférica.
A Cuesta Basáltica pode ser descrita como uma vertente muito íngreme, voltada para a Depressão Periférica, e uma outra suave e levemente inclinada em direção ao Rio Paraná. Essas duas feições principais são a escarpa ou front (frente de cuesta), onde a porção norte do município de Botucatu está situada, e o reverso da cuesta, que fica atrás da escarpa ou front.
O reverso da cuesta apresenta relevo levemente ondulado, com a presença de suaves colinas, propiciadas pelos sedimentos originados pelo intemperismo* e por agentes erosivos como o Rio Pardo.
Já na frente de cuesta, uma das características principais é a formação dos percées (vales entalhados), que são os boqueirões ou gargantas escavados por cursos d'água como os rios Capivara e Lavapés. Além dos percées, o trabalho erosivo na região da cuesta formou um terreno acidentado, com morros arredondados, mesas basálticas ou morros-testemunho* e planícies aluviais de rara beleza exótica.

Fonte: ATLAS ESCOLAR HISTÓRICO E GEOGRÁFICO - Ferreira-Cesar Cunha (ed. 2009)

3 comentários:

  1. As imagens têm mesma fonte que o texto? Onde posso conseguir essas imagens em tamanho maior?

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RUA DO COMÉRCIO CENTRAL

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Vista parcial da Cidade

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Largo da Catedral

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Consulado de Portugal

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Praça Emílio Peduti

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Igreja de Rubião Jr.

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Nascente do Rio Pardo

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Rio Alambari

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Rio Bonito (Tietê)

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Ruinas da Igreja ao pé da Cuesta

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Subida da Cuesta (rodovia Mal. Rondon)

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